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sexta-feira, 16 de março de 2012

Database: Sou Nerd?

“É noite e estou no Ambrose, prédio mais importante da sociedade vampírica. Meu objetivo de roubar peças de xadrez que possuem um significado oculto foi concluído, mas o inimigo espreita, voando centímetros acima do chão e perseguindo-me com uma fúria assassina. Olho ao meu redor: todas as janelas do prédio espelhado estão destruídas. O elevador está no poço e o lugar não tem energia, não há escadas. A única saída é pular. Pular para outro prédio, distante em vários metros e com a chance de morrer ao encontrar o chão se falhar e cair os setenta e cinco andares. Corro pela grande sala para tomar impulso, segurando duas adagas sai em minhas mãos. Pulo, mas não atinjo a distância necessária. Vou caindo, impulsionando meu corpo para frente, em uma tentativa desesperada de atingir o próximo prédio e conseguir a fuga por lá. “



Mas não sou eu quem está caindo, e sim minha personagem em RPG (Role Playing Game), uma vampira. Para saber se obtive sucesso, rolo dados com uma dificuldade estipulada pelo mestre do jogo, e passo, cravando as adagas no outro prédio, e enquanto elas vão perdendo força na parede consigo entrar por uma janela e fugir.
Mas...o que é RPG? É um jogo de interpretação de papéis, como um teatro. Mas não há palco, não há luzes, e os sucessos são determinados por roladas de dados de diversas faces, com dificuldade que o mestre, que é como o diretor e roteirista do jogo, determina. RPG é um jogo tipicamente nerd, e chegamos ao cerne da matéria: o que é um nerd?
Definir um nerd não é tarefa fácil, uma vez que cada pessoa tem uma definição diferente. Alguns sites voltados para esse público têm diversas opiniões e classificações: para uns, são pessoas que têm muito interesse em um determinado assunto (que beira a obsessão), tornando-se assim geeks nele, como comics geeks, technology geeks, etc. Pra algumas pessoas, são aqueles que gostam de estudar, são muito inteligentes e não possuem vida social.
Há também aqueles que dizem que há vários tipos de nerds, mas não necessariamente são aficionados em um determinado assunto, mas são classificados de acordo com o conhecimento no mundo nerd.

Há muitos ‘sub-grupos’ de nerds. Alguns são:

  • Geeks: interessados principalmente por ciência, tecnologia e eletrônicos
  • Gamers: os jogadores de vídeo games;
  • Cards Gamers: jogadores de Cards Games (Yu-Gi-Oh, Magic, Pokemon);

  • Board Gamers: jogadores de Jogos de tabuleiro modernos (como Carcassonne ou jogos tradicionais como Xadrez);
  • RPGistas: os jogadores de Role playing games (RPG);
  • Fanbase ou Fandom: um grupo caracterizado por ser fã de uma obra, ou conjunto de obras específicas como:

    • Star Warriors, do universo de Star Wars;
    • Trekkers’ ou Trekkies, do universo de Star Trek;
    • Potteretes, fans de Harry Potter
    • Gaters, do universo de Stargate
    • Otaku, fans de Animes/mangás, de desenhos Japoneses e Cosplay;
    • Fanboy, são os nerds aficcionados em uma determinada marca ou produto;

Alguns classificam os nerds por conhecimento no mundo:

Lammers: Iniciantes


Geeks: Ponto de equilíbrio entre nerds e “pessoas comuns”


Hackers: Um doutorado de distância pra ser nerd


Dorks: Nerd máximo



“Para mim, nerd é quem pensa diferente”, afirma FJ, 20 anos, que trabalha como arquivista. “As pessoas acham que nerd é aquele cara bobão que é viciado em coisas eletrônicas e que só joga pokémon, mas é mais que isso”, completa. Para FPD, 23 anos, ou Tai, como é conhecido, cozinheiro, ser nerd é “viver em um mundo quase separado do real, beirando o real e o fictício e ao mesmo tempo ser capaz de explorar ambos os lados, para tirar proveito máximo dos dois”, afirma.

O mundo real nem sempre foi gentil com os nerds. Sempre foram alvos para bullying, com o estereotipo de que eles usavam roupas estranhas e xadrezes, com óculos de fundo de garrafa e armação pesada, que não eram sociais com pessoas fora da sua “tribo”. Mas o presente não é diferente. Apesar do termo “geek” estar na moda, reforçado por seriados de sucesso como The Big Bang Theory, filmes de super-heróis no cinema e de a tecnologia ser mais presente e essencial do que nunca, coroando quem sabia produzir a partir dela, como Bill Gates e Steve Jobs, há aqueles que ainda associam nerds a seus estereotipo.


Na van que me leva à faculdade, há outro nerd. Ele é constantemente zoado pelos outros integrantes do transporte, quando não está presente. Quando o motorista comentou que ele demorava a chegar porque estava com a namorada, algumas meninas se mostraram indignadas que o garoto “estranho”, “acima do peso”, “nerd”, tivesse um relacionamento e elas não, mostrando que o julgamento delas é realizado através do senso comum, e não do conhecimento, uma vez que nunca conversaram com o garoto.


Em uma pesquisa realizada pela revista Wired, com 1000 americanos adultos, 57% afirmaram que acham o termo geek um elogio. Porém, 31% acreditam que é um insulto, e 50% ainda acreditam que essa tribo é estranha no nível social, apesar de 65% acreditar que todo mundo é geek em relação a algo.


“Eles são muito estranhos, se vestem com roupas estranhas, com desenhos e símbolos, e geralmente andam com um monte de meninos iguais, e os assuntos também são sempre sobre jogos ou coisas que não entendo e não acho interessante, um pouco infantis”, conta L.B., 20 anos, estudante de Relações Públicas que se identifica com a tribo urbana de “patricinhas”.
Mas nem todas as patricinhas pensam assim. Inclusive, algumas podem até ir para o “lado nerd da Força”, como foi o caso da FS, 20 anos, estudante de Direito. “Antes eu era considerada uma verdadeira patricinha, vivia em shoppings, pensando em sapatos, roupas, manicure, tendências dos principais circuitos da moda etc.”, afirma. “Mas eu fui crescendo e amadurecendo e vi que tinha que me preocupar mais com a escola. Não que eu tenha deixado de lado o mundo fashion, mas deixou de ser uma prioridade, não passam de futilidades”, completa. Apesar de não se considerar nerd, FS acredita que seu gosto por ler e escrever faz com que outros tenham essa imagem dela. “Sou, como disse um amigo, uma jovem Padawan no caminho do aprendizado. Mas não sei o que é Padawan”, assume (Padawans são aprendizes de Jedis). Ultimamente, ela concilia os hobbys de patricinha com videogames, atualizações eletrônicas e sua mais nova paixão, o RPG.


“São dois anos jogando e não consigo cansar, me faz muito bem, não só pela diversão, mas pelo grupo de amigos e pelos desafios que somos submetidos nas situações-problema do jogo. Assim, meu raciocínio ficou mais rápido. Tanto que a conselheira vocacional falou que era bom também para a memória, e também vi uma reportagem falando que alunos de Direito que jogam desenvolvem mais desenvoltura nas atividades da área”, conta. FS também acredita que jogar ajudou-a a se conhecer melhor. “Consigo identificar qualidades e defeitos na minha personagem que refletem a mim, pois a criei como um espelho, só que melhorado, e acho que falta pouco para alcançar essa versão minha”, revela.


Ainda assim, os nerds enfrentam problemas variados. FS afirma que nunca sofreu sendo nerd, mas sim quando era patricinha. “Já fui chamada de fútil, curta, cabecinha de vento. Como nerd, só meus amigos do meio brincam comigo, dizendo que sou patricinha de nível épico com subclasse nerd de nível dois, mas não é prejudicial”.  “Já tive muitos problemas na infância, sofri bullying e quase soquei um garoto na sala de aula”, conta FJ. Ele acredita que hoje há menos problemas porque “é “moda” ser nerd”.


Há também os que tiveram problemas que não foram causados por um agente externo. “Já cheguei perto demais do mundo fictício e quase me separei do mundo real. Chegava a pensar tanto em jogos que as pessoas ao meu redor acabavam me excluindo”, conta Tai. Hoje ele não tem mais esse problema. Guto era o cara que gostava de curtir sua solidão. “Praticamente até chegar ao colegial, eu era aquele cara que fazia as coisas sozinho, demorei a me enturmar com o pessoal. Também demorei para me acostumar que as pessoas nem sempre entendem as coisas como eu entendo, principalmente relacionadas à computador. Tenho muita facilidade em pegar conceitos e aprender coisas novas e bati muito a cabeça porque não entendia que coisas que eram óbvias para mim simplesmente não eram tão óbvias assim”, conta AA, o Guto, de 26 anos, analista da IBM para sistemas Unix.


Mas grande parte do mundo parece ter aceitado os nerds. Principalmente a economia. De acordo com a Newzoo, empresa que pesquisa o mercado e tem foco nos jogos, a indústria de games arrecadou mundialmente 60 bilhões de dólares somente em 2010, e já conta com mais de 183.5 milhões de jogadores. É como se quase todo o Brasil jogasse.
FJ adora jogar, e seus games favoritos são NeverWinter Nigths 2, RPG online e Mount & Blade Warbands. Já Tai prefere jogos de estratégia, como StarCraft, que vendeu um milhão de unidades no lançamento.
Os novos consoles são os maiores responsáveis pelo aumento do lucro: o Wii da Nintendo, permite a seus usuários jogar gesticulando e o Kinect, que se conecta ao X-box, da Microsoft, não precisa de controles. Isso quer dizer que aqueles que não se interessavam por games porque se perdiam no controle, ou porque não sabiam fazer os “combos” para poderes agora competem de igual para igual em todos os jogos, que exigem cada vez mais o condicionamento físico. Cai aí o mito de sedentarismo dos nerds.


Com a crescente decadência da indústria cinematográfica hollywoodiana, a busca por um público fiel que pudesse atrair outros com filmes arrasa-quarteirões começou, e achou os quadrinhos e os games. Filmes como X-men e Resident Evil proporcionaram tudo que a indústria queria: continuações sem fim e brinquedos. X-men, por exemplo, teve três filmes “oficiais”, fora as “origens”, como a de Wolverine, que já terá uma continuação, outra sobre o vilão Magneto e o filme X-men: First Class que estreou em Junho. A lista toda de filmes baseados em jogos e HQs não caberia nessa matéria.


Para ilustrar o poder de atração desses filmes, temos como exemplo o filme The Dark Knight (2008), continuação do filme Batman Begins (2005), que tem Batman como protagonista e foi um dos poucos filmes a ultrapassar um bilhão de dólares na bilheteria mundial. Outro filme de ficção científica que conseguiu essa proeza foi Avatar (2009), que arrecadou mais de dois bilhões, e já tem mais duas continuações programadas.


Até na telinha os nerds estão ganhando: a série The Big Bang Theory, que relata o cotidiano de quatro amigos nerds é uma das séries mais vistas no mundo, e conseguiu a façanha de superar o aguardado último episódio de outra série-fenômeno, Lost. O episódio de final de temporada de Big Bang teve 15 milhões de espectadores, enquanto o desfecho depois de muito mistério de seis anos atraiu somente 13 milhões.
No mercado regional, temos como exemplo a loja Terra Média, localizada no shopping Dom Pedro. De acordo com o vendedor Eduardo Vaz, 20 anos, os produtos mais procurados são os games e os cards de Magic (um jogo no qual se utilizam cards, as cartas). “Mesmos cards antigos, lançados há seis anos, ainda vendem, ainda mais quando acaba os novos, o que acontece frequentemente. Vende assim que chega”, afirma o vendedor Matheus Pequeno, de 26 anos. Além das cartas e dos filmes, livros de RPG e quadrinhos estão vendendo mais.


O mercado tecnológico também adora os nerds. Até mesmo quem não se interessa por alguma coisa do universo quer um aparelho esteticamente belo e funcional, como o cobiçado Iphone, da Apple, e que entre em redes sociais como o Facebook, criada por outro geek, Mark Zuckerberg. Por isso, os que detêm o conhecimento para produzir aplicativos ou aparelhos são celebrados, tanto que o grupo Seminovos fez uma música que define bem a moda: “Escolha já seu nerd”.


Há também os produtos de vários passatempos nerds. Action figures, jogos de tabuleiro, card games, livros, quadrinhos, jogos eletrônicos, dados, pôsteres, camisetas, canecas, dvds, pendrives personalizados...uma infinidade de produtos que podem ser customizados, chegando até a cabines de computadores, os casemods, comumente vistos na Campus Party.


Tai afirma gastar “cerca de 50 reais por mês em mangás (quadrinhos japoneses)”, cuja coleção pode ser vista em seu quarto, assim como alguns bonecos Transformers, do Homem Aranha e do Homem de Ferro. Há também uma coleção de armas decorativas, como espadas (há uma réplica da espada de Aragorn, um dos personagens de Senhor dos Anéis), armas Nerfs, que atiram dardos de espuma, nunchakus e adagas. Já FJ diz que gasta um pouco mais: “Torro grana com bonecos, miniaturas etc. Inclusive, minha última aquisição foi um Cavaleiro de Rohan, do Senhor dos Anéis. Geralmente fica entre 30 ou 100 reais por mês, mas varia muito”, afirma.   


E os finais de semana e a tão falada antissocialidade? Em uma sexta e sábado típicos, nerds se reúnem com seus amigos e passam a noite conversando e jogando, principalmente jogos de tabuleiro. Em uma sexta feira fui até o que parece ser um reduto para intelectuais e nerds: a cafeteria Starbucks. Lá, meus amigos e eu jogamos Magic e Battlestar Galactica: the Board Game. São jogos que instigam a competitividade. Battlesta, é um jogo político e também de confiança, afinal, qualquer um pode ser um Cylon, robô humanóide inimigo.Durante o jogo, observamos as expressões dos outros para tentar pegar alguma pista, ou tentando argumentar porque achamos que o outro é um inimigo. Enquanto isso, uma dupla em outra mesa discute arduamente sobre World of Warcraft, um famoso RPG Online e outras séries de ficção científica. Depois, outra dupla chega e se senta ao nosso lado, um dos garotos comenta sobre nosso jogo, explicando para o amigo porque achava que a série que deu origem ao jogo que jogávamos era melhor que Lost.


Na noite seguinte, saímos para comer em uma rede de fast food e depois passamos a madrugada travando batalhas com jogos de Wii ou X-Box, enquanto conversávamos, principalmente sobre os personagens do jogo ou sobre outros passatempos, como RPG. No domingo, nos reunimos para jogar, e agora não mais interpretamos vampiros, mas humanos com poderes, que precisam de um remédio para estabilizá-los e, portanto, realizam uma invasão em outra empresa, além de lutar conta outros super-humanos. Há, além da parte da ação, a parte social e política do jogo, que demanda análise e criatividade para ser resolvida. 


Para alguns, os jogos são os maiores passatempos. Outros gostam muito de séries de todos os gêneros. Há também aqueles que acabam por se interessar por outros assuntos, diversos daqueles já citados. É o caso de Guto. “Sou aquele cara que, mesmo trabalhando com computadores, encontra diversão em ficar no computador fora do trabalho, programando, desenvolvendo coisas. Por um tempo, minha diversão tem sido o aeromodelismo”, afirma. Entretanto, outros assuntos nem um pouco comuns podem despertar a curiosidade, como números de caminhão. “Ás vezes me dá uma vontade súbita de saber bastante sobre alguma coisa, seja mitologia, física nuclear ou o que os números como “33 1203” significam em um caminhão de combustível na estrada (33 1203 é especificamente a gasolina, 33 1170 á álcool e 22 1075 é gás da cozinha)”, completa Guto.


Outro passatempo tipicamente nerd é comentar em fóruns da Internet. Lá, discutem sobre os mais variados assuntos, seja um novo celular lançado, como resolver algum problema de computador, comentar sobre séries e teorias sobre elas (como eram comuns na época de Lost), sobre músicas novas, sobre personagens e jogos, jogos futuros, gráficos...sobre tudo. Muitas vezes, utilizam linguagem própria da Internet, como códigos binários, ou cheia de abreviações e com significados que leigos não entenderiam.


Eventos para nerds também não faltam. Desde 2010, a Virada Cultural em São Paulo reserva um espaço para todos os tipos de nerds: a “Dimensão Nerd”, dividido em três palcos: Corredor Dimensional, Palco Dimensional e Tablado de Combate, fora os locais de concentração de Paradas Cosplay (Costume Play, ou o hobby de se fantasiar como um personagem), Estelar, Monstros e Medieval.


O Palco serviu para bandas com temáticas nerds, como os já citados Seminovos e a famosa entre o meio Megadriver, entre outro, se apresentarem. O Tablado de Combate teve um nome sugestivo: é um lugar para as pessoas duelarem, com armas de espuma, sem violência, e em algumas lutas, utilizando cosplays. Já o Corredor Dimensional era voltado para os jogos de tabueiro, CardGames, RPGs e até para uma demonstração de forja de armas.


Há também os eventos para fãs de animes, que existem em diversas cidades. Em Campinas, o mais famoso é o FanMixCon, que tem duas edições por ano, e acontece no Instituto Cultural Nipo Brasileiro de Campinas. Há também o OtakuNoIe, no mesmo lugar, e o AGE (Animação, Games e Entretenimento), evento que ocorreu em maio, é voltado para Games e que reúne espaço para todos os tipos de consoles para que os visitantes possam duelar.


O maior e mais famoso evento de anime do Brasil é o AnimeFriends, que dura uma semana de Julho, começando em um fim de semana e acabando no outro, e muitas vezes atraindo celebridades internacionais para fazer shows, como X-Japan, J-Rockers famosos (O “J” é para japonês).


Eu já participei de uma edição do AnimeFriends. O local utilizado para o evento foi uma faculdade de oito andares, e ainda tiveram que pegar um espaço do outro lado da rua para ser o palco e praça de alimentação. No subsolo, onde ficavam as barraquinhas com produtos, era impossível andar. Havia tanta gente que era necessário seguir o fluxo ou estar bem preparado contra empurrões. Isso sem contar as mochilas. Sim, porque otaku que é otaku anda com mochila pra guardar mangás e outras coisas necessárias, como máquinas fotográficas. Sim, porque é divertido tirar fotos das pessoas que fazem cosplay, além de ser um modo de reconhecer o trabalho deles (alguns cosplayers demoram meses para concluir uma fantasia). Não que eles já não sejam reconhecidos no Japão: há o World Cosplay Summit (WCS), que seleciona duplas de cosplayers de vários países, até a etapa final, no Japão (os participantes vão de graça e são recepcionados pelo Ministro de Cultura que, sim, sabe o que é Cosplay), onde os vencedores ganham o prêmio em dinheiro, fora o reconhecimento de melhor Cosplayer. O Brasil participa do evento desde 2006, e já ganhou duas vezes: a primeira justamente em 2006, quando os irmãos Maurício e Mônica Somenzari representaram os anjos Rosiel e Alexiel, do mangá Angel Sanctuary. O outros vencedores foram Gabriel Niemietz (Hyoga) e Jéssica Campos (Pandy), em 2008 reproduzindo o anime Burst Angel(Bakuretsu Tenshi). Esses cosplayers são da região de Campinas, sempre presentes no FanMixCon.


Mas voltando ao AnimeFriends. Querendo andar conta a maré, eis que me surge um salvador: um homem vestido de Willie Wonka, da nova versão da Fantástica Fábrica de Chocolate. Fiquei muito feliz, porque o cosplay estava perfeito, até os olhos eram violetas, e gritei bem alto “Willie!!”, já preparando minha máquina, enquanto ele sorriu e mostrou uma barra de chocolate Wonka. Enquanto todos estavam distraídos e também tiravam fotos, parando o fluxo de pessoas, consegui meio intento e sai para os jardins.


Outro evento nerd, o mais famoso e importante do mundo, é o Comic-Con, que dura quatro dias no verão de San Diego, Califórnia. O evento, que começou como uma reunião entre amantes de quadrinhos, séries de ficção e filmes nos anos 70, começou a expandir e ganhar muita visibilidade, passando a incluir elementos de cultura pop como brinquedos, animes e mangás, vídeo games, outras séries de televisão e livros da fantasia, como Harry Potter. Atualmente, o evento também é um propulsor dos blockbusters do verão americano: atores e diretores participam do evento, mostrando cenas inéditas, trailers, palestras e estandes trabalhados. Estelas como Angelina Jolie e Robert Downey Jr. já passaram por lá para fazer propaganda de seus filmes. Em 2010, o estande que mais chamou atenção foi o do filme Thor, que era uma réplica do trono do Odin do filme. Há também lançamento de jogos, com demonstrações, e os cosplayers, que estão em todo lugar. O Comic-Con começou com 300 participantes, mas em 2010 reuniu mais de 130 mil pessoas.



Nerd, com orgulho!
Mesmo com a quantidade de público, o Comic-Con não supera o maior evento nerd do mundo: o Dia do Orgulho Nerd e o Dia da Toalha, comemorados no dia 25 de Maio. Nesse dia, em todos os países, nerds de todos os tipos demonstram seu orgulho pela tribo de maneiras inusitadas, seja simplesmente agindo “normalmente”, jogando jogos, ou desfilando com toalhas e fazendo competição de poesia Vogon. Mas o que é isso? E porque toalha?


O Dia da Toalha foi inicialmente idealizado pelos fãs de Douglas Adams, autor da série “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, a “trilogia de cinco livros” que trata a sociedade humana e suas relações de maneira sarcástica. De acordo com o Guia do título (que tem a amigável mensagem “Não Entre em Pânico” na contracapa), o item mais útil e necessário a todo mochileiro é a toalha, por todas as suas possíveis utilizações. Já os Vogons são uma raça alienígena do livro que têm a terceira pior poesia do universo. Além da toalha, o Guia nos apresenta um personagem muito querido e icônico que é o robô Marvin, que tem personalidade maníaco-depressiva e enorme inteligência, tão grande quanto sua cabeça. Isso sem contar que o livro respondeu ao maior questionamento de todos: a resposta para a Vida, o Universo e Tudo Mais é... 42.


Já o Dia do Orgulho Nerd existe para comemorar o lançamento do primeiro filme da trilogia clássica de Star Wars (A Nova Esperança, ou o quarto filme da série na ordem cronológica), que ocorreu em 25 de Maio de 1977.  Não há registro do porque as duas datas coincidiram, mas talvez seja pelo fato de que todo nerd que se preze já leu o Guia.


E por que ter orgulho de ser nerd? “Tenho orgulho porque esse caminho só me trouxe coisas boas: além das boas notar, tenho amigos excelentes e um conhecimento de mim mesma bem maior”, diz FS. “Não vejo porque não ter. Em muitas partes da minha vida, acho que isso é uma grande vantagem para mim”, conclui Guto. “Como poderia dizer? Esse é meu jeito ninja de viver”, afirma Tai.


Sou nerd, com orgulho. Orgulho de sair sábado a noite e conversar com meus amigos sobre seres que só existem em nossas férteis imaginações, sobre planos que temos que traçar para conseguirmos sobreviver nos jogos. Tenho orgulho de ter assunto para poder comentar o que está na mídia, de fazer piadas que precisam de conhecimento para serem entendidas, de ser referência quando alguém tem algum problema eletrônico ou quer saber mais sobre um novo gadget. Tenho orgulho de passatempos que exigem do meu raciocínio, da minha lógica e da minha criatividade, de olhar para um tabuleiro no sábado à noite e achar isso normal, quando muitos acham que normal seria estar em uma balada. Tenho muito orgulho de nunca limitar assuntos, de ter vontade de conhecer e entender coisas novas, mesmo que pareçam inúteis. E, acima de tudo, tenho orgulho de viver entre o real e o imaginário, tornando minha vida mais divertida.


Por fim, só há algo a dizer: Até mais e obrigada pelos peixes!











Reportagem Feita por Thaís Colacino da Revista Quentim

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